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Fachada do Café Gijón, Madri

Sete cafés charmosos da Espanha com cheiro de história

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Muito mais que cafeterias


Os cafés antigos têm algo de mágico e reconfortante. São uma espécie de refúgio, e dá gosto sentar-se e saborear um café quentinho, conversar com uma companhia agradável, ler enquanto esperamos a pessoa com quem combinamos, olhar pela janela planejando tudo que falta ver da cidade, lembrar o que já foi vivido, abrigar-se da chuva momentânea... Além disso, muitos destes cafés escondem um passado impressionante de reuniões literárias, de conversas de artistas e políticos, de guardanapos onde talvez tenha sido iniciada uma grande obra... Vários cafés centenários da Espanha foram testemunhas destes encontros históricos e hoje resistem, esperando pelo viajante com mil histórias para contar entre suas cadeiras e suas mesas. Tomar um café onde já se sentaram Lorca, Hemingway ou Picasso é fascinante. Ao sentar-se à mesa, basta tomar um gole da bebida quente e fechar os olhos para imaginá-los no local.

Els Quatre Gats, em Barcelona

O que teria de especial este café para que Picasso o escolhesse para expor pela primeira vez seus desenhos? No final do século XIX, este local organizava espetáculos e shows musicais e foi o lugar de reunião de artistas como o próprio Picasso, Santiago Rusiñol e Ramón Casas. Um verdadeiro símbolo da Barcelona boêmia e modernista, inspirado no cabaré Le Chat Noir, em Paris. Mais recentemente foi escolhido por Woody Allen como cenário de “Vicky, Cristina, Barcelona”. Hoje você pode encontrar o herdeiro do original na mesma rua Montsió 3 de Barcelona, no andar térreo da bonita Casa Martí. Lá, o famoso cartaz desenhado por Picasso dá as boas-vindas aos visitantes.

Café Gijón, em Madri

No dia 15 de maio de 1888, o asturiano Gumersindo Gómez inaugurou em Madri o Gran Café Gijón. Tinha duas partes, uma onde eram servidos café aos clientes que chegavam em carruagens, e outra para as garagens. Coisas do destino, este local acabou se tornando uma autêntica instituição cultural e um lugar de encontro, ao longo de diferentes épocas, de importantíssimos personagens como Pérez Galdós, Valle-Inclán, Gerardo Diego, García Lorca, Dalí, Buñuel, Sorolla, Torrente Ballester, Cela... Até mesmo a famosa espiã Mata-Hari esteve neste lugar. Este café, que foi pintado por artistas e sobre o qual já foram escritos mais de dez livros, espera por você No Paseo Recoletos, 21.

Café Quatre Gats, Barcelona

Café Comercial, em Madri

O Café Comercial está de volta! Esta foi a manchete em muitos meios de comunicação em março de 2017, quando foi reaberto este mítico local na Glorieta de Bilbao, que dizem que é o mais antigo dos cafés madrilenhos. Suas portas se abriram em 1887 e suas paredes foram cúmplices de conversas das quais participaram Machado, Jardiel Poncela, Berlanga... Décadas de cultura que deixaram sua marca em um lugar em que hoje, além de tomar café, é possível almoçar e jantar com receitas típicas madrilenhas.

Dindurra, em Gijón

É um dos últimos cafés literários da Espanha e tem uma história de mais de 100 anos. O empresário Manuel Sánchez Dindurra encomendou em 1898 um novo teatro para a cidade, que tinha um espaço para café que depois se converteu no mítico Dindurra, um dos cafés mais importantes de Astúrias e lugar de debates artísticos e políticos. Durante os anos seguintes, passou por uma decoração Art Decó, sobreviveu a uma guerra e fechou suas portas para renascer em 2014. Hoje, neste café do Paseo Begoña, 11, você pode desfrutar da famosa sessão vermute ou de um agradável almoço.

Café Dindurra, em Gijón

Café Novelty, em Salamanca

A estátua do escritor Torrente Ballester espera sentada pacientemente por quem se anime a tomar alguma coisa neste café histórico situado no número 2 da Plaza Mayor de Salamanca. Foi fundado em 1905 e dizem que é o estabelecimento mais antigo da cidade. Foi tão famoso que nele foram servidos banquetes a personagens históricos como o rei Alfonso XIII, parece que lá nasceu a Rádio Nacional da Espanha, e foi lugar de reunião para literatos como o próprio Torrente Ballester, Carmen Martín Gaite e Unamuno... Hoje é uma delícia fazer uma parada neste café, sentar-se nas mesas ao ar livre ou provar no verão um de seus famosos sorvetes.

Café Iruña, Bilbau

Agora estamos em frente aos populares Jardins de Albia da cidade de Bilbau, uma das viagens mais agradáveis que você pode imaginar. Lá fica outro grande clássico, um café que foi inaugurado em 1903. A primeira coisa que chama a atenção são os azulejos e a bonita decoração mudéjar. De fato, em 1980 foi declarado “Monumento Singular” e recebeu o prêmio de Melhor Café da Espanha do guia “Café Crème Guide to the Cafés of Europe”. Além de curtir sua atmosfera acolhedora e provar seu delicioso café, é muito recomendável pedir seu famoso “pintxo moruno”.

Café Iruña, em Bilbau
Imagem panorâmica do Café Iruña, em Pamplona

Café Iruña, Pamplona

É o ano 1888 e Pamplona “se ilumina” com o primeiro estabelecimento com luz elétrica da cidade: o Café Iruña. Os anos passaram, mas o charme deste local com lustres antigos, tetos altos e grandes espelhos não decaiu. Um de seus clientes mais famosos foi, sem dúvida, o escritor Ernest Hemingway. De fato, dizem que lá ele começou a escrever livros como O sol também se levanta, Por quem os sinos dobram e O velho e o mar. Enquanto toma um café ou um drinque, você pode imaginar o escritor, concentrado, colocando histórias eternas no papel, e depois “cumprimentar” a estátua de Hemingway que se apoia tranquilamente em seu canto.

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